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As 5 competências da redação do ENEM, explicadas uma por uma

O que cada uma das 5 competências avalia, quanto vale, e o erro que mais derruba nota em cada uma. Guia direto, sem enrolação.

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A redação do ENEM não recebe uma nota. Recebe cinco.

Cada corretor lê o seu texto olhando para cinco coisas diferentes e dá de 0 a 200 para cada uma delas. A soma é a sua nota de 0 a 1000. Isso muda tudo na hora de estudar: não existe "escrever melhor" em geral — existe subir na competência em que você está perdendo ponto.

E é por isso que "minha redação ficou boa" quase nunca é uma informação útil. Uma redação de 720 e uma de 880 podem parecer iguais para quem escreveu. A diferença está espalhada em cinco lugares, e você precisa saber em qual.

Competência 1 — Domínio da escrita formal (0 a 200)

O corretor está olhando para a norma-padrão: ortografia, acentuação, concordância, regência, pontuação, colocação pronominal, uso de crase.

Não é sobre escrever difícil. É sobre escrever certo. Uma frase curta e correta vale mais aqui do que um período longo cheio de vírgulas no lugar errado.

O que mais custa ponto na C1, na prática:

  • Vírgula separando sujeito de verbo ("Os jovens brasileiros, enfrentam...").
  • Concordância verbal em frases com sujeito longo ou posposto.
  • Crase antes de palavra masculina ou de verbo.
  • Registro informal escapando: "a gente", "pra", "tipo", "coisa".
  • Repetição de palavra por falta de sinônimo, o que também respinga na C4.

Um detalhe que quase ninguém sabe: desvios isolados não derrubam a nota de 200 para 120. A C1 trabalha por quantidade e gravidade. Duas escorregadas num texto bem construído costumam manter a competência alta. O problema é o texto com desvio em toda linha.

Competência 2 — Tema e tipo textual (0 a 200)

Duas exigências dentro de uma competência só:

  1. Não fugir do tema. O tema é a frase inteira da proposta, não a palavra-chave dela. Se o tema é "os desafios da valorização do trabalho de cuidado no Brasil", escrever sobre "desemprego" genérico é tangenciamento — e tangenciar já derruba a nota.
  2. Escrever um texto dissertativo-argumentativo em prosa. Não é narrativa, não é poema, não é carta, não é lista de tópicos. Introdução com tese, desenvolvimento que argumenta, conclusão com proposta.

A C2 também é onde entra o repertório sociocultural: dado, lei, obra, conceito, fato histórico. Para valer ponto, o repertório precisa ser (a) legítimo, (b) pertinente ao tema e (c) usado, não citado de enfeite. Mencionar a Constituição de 1988 e não dizer o que ela tem a ver com o seu argumento não conta como repertório produtivo.

Um repertório bem usado responde à pergunta "e daí?". Se depois da citação o leitor ainda pode perguntar isso, ela ficou solta.

Competência 3 — Projeto de texto e argumentação (0 a 200)

Esta é a competência que separa a redação de 700 da de 900, e é a menos compreendida.

A C3 não avalia se os seus argumentos são bons no sentido de "eu concordo". Avalia se existe um projeto de texto: se dá para ver, lendo, que você sabia onde queria chegar antes de começar. Se cada parágrafo tem uma função clara, se as ideias progridem em vez de girar em volta do mesmo ponto.

Sinais de C3 baixa:

  • Os dois parágrafos de desenvolvimento dizem a mesma coisa com palavras diferentes.
  • O texto acumula informação em vez de construir raciocínio: fato, fato, fato, e nenhuma interpretação sua.
  • A conclusão apresenta uma ideia nova que não apareceu antes.
  • A tese da introdução não é a mesma que a conclusão retoma.

O conserto quase sempre é anterior à escrita: dois minutos decidindo qual é a tese e qual é a função de cada parágrafo valem mais do que dez minutos caprichando na frase de efeito.

Competência 4 — Coesão (0 a 200)

Mecanismos linguísticos que amarram o texto: conjunções, pronomes, advérbios, expressões de referência.

O erro típico não é a falta de conectivo — é o conectivo errado. "Portanto" abrindo um parágrafo que não conclui nada. "Entretanto" ligando duas frases que concordam entre si. O corretor lê isso como falha de articulação, porque a palavra promete uma relação lógica que o texto não cumpre.

O segundo erro típico é a repetição do mesmo conector em todos os parágrafos ("Além disso" três vezes). A C4 premia variedade de recurso coesivo, e ela não é só conjunção: retomar um termo por pronome, por sinônimo ou por uma expressão que resume o parágrafo anterior também é coesão — e costuma soar melhor.

Competência 5 — Proposta de intervenção (0 a 200)

O único trecho da redação com uma receita objetiva. A proposta precisa de cinco elementos, e a nota sobe conforme eles aparecem:

ElementoPergunta que responde
AgenteQuem faz?
AçãoO que faz?
Meio/modoComo faz?
Efeito/finalidadePara quê?
DetalhamentoUm dos elementos acima, explicado com especificidade

"O governo deve investir em educação" tem agente e ação, e para por aí — proposta vaga, nota baixa. Já "o Ministério da Educação deve incluir oficinas de leitura crítica no currículo do ensino médio, por meio de formação continuada de professores da rede pública, a fim de que o estudante chegue ao ensino superior sabendo avaliar uma fonte" tem os cinco.

A proposta também precisa respeitar os direitos humanos. Sugestão de pena de morte, castigo físico, tortura ou eliminação de um grupo social zera essa competência.

O que fazer com isso

Se você chegou até aqui, a pergunta prática é: em qual das cinco você está perdendo?

Quase ninguém sabe responder isso sozinho, porque as cinco se confundem quando você lê o próprio texto. Um professor leva uma ou duas semanas para devolver a resposta. Na Pratika Edu, você cola a redação e recebe a nota separada nas cinco competências, com o motivo de cada desconto, em menos de um minuto — e aí sabe exatamente o que treinar na próxima.

As regras descritas aqui seguem a Cartilha do Participante do INEP. A cartilha é republicada todo ano; na dúvida sobre um detalhe, confira a edição do ano da sua prova.


Leia também: repertório sociocultural, o que a banca aceita · conectivos por função · quantas linhas tem a redação.

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